Rússia revida e provoca incêndios em Kiev; veja vídeos
Forças russas lançaram um ataque aéreo de grandes proporções contra Kiev na madrugada desta quarta-feira (5), destruindo infraestrutura logística civil. A ação é uma resposta à campanha ucraniana contra centros semelhantes na Rússia.
O assessor presidencial ucraniano Serhii Beskrestnov, conhecido como Flash, disse que "o inimigo começou uma nova fase da guerra de atrito, onde ele ataca de tudo".
Ao menos uma pessoa morreu. As buscas por desaparecidos e o resgate de feridos continuam. No ataque, foram empregados ao menos 30 mísseis balísticos e centenas de drones, que começaram a atingir a capital logo depois da meia-noite e seguiram durante a madrugada.
O uso de mísseis aproveita a escassez de interceptadores para os dez sistemas americanos Patriot à disposição de Volodimir Zelenski, os únicos capazes de tentar barrar essa ameaça. Os drones, por sua vez, saturam as defesas antiaéreas de baixa altitude.
Imagens divulgadas em redes sociais impressionaram até quem já está acostumado com a violência da guerra, que vive seu pico em 2026. Incêndios colossais tomaram a paisagem noturna. Um bairro entrou em alerta por causa do vazamento de amônia em uma indústria, sem consequências ao fim.
Um grande centro logístico da empresa de varejo digital Rozeska foi atingido e pegou fogo. Um ataque direto destruiu completamente o shopping Epitsentr, o maior de Kiev para artigos de casa e construção. Também foram alvejados depósitos da NP, líder do mercado de entregas expressas, e da rede de supermercados Novus.
Algumas imagens sugerem que os russos usaram ogivas de fragmentação no ataque, provavelmente explodidas a partir de mísseis balísticos do modelo Iskander-M. Essas armas são condenadas por diversos países pela destruição indiscriminada e por deixar explosivos no solo, mas Rússia e Ucrânia não as vetam e já as usaram na guerra.
A ofensiva é uma resposta direta de Moscou à campanha iniciada em 18 de julho pela Ucrânia contra centros logísticos da maior varejista online russa, a Wildberries. Conhecida como a "Amazon russa", a empresa teve unidades de distribuição atingidas ou destruídas, o que provocou caos no sistema de entregas na Rússia e pressionou Putin entre seus apoiadores de classe média, que usam bastante esse tipo de serviço.
A ação ucraniana foi ampliada contra outras duas empresas nesta terça-feira, com um depósito de uma distribuidora de produtos da região de Moscou destruído num ataque com drones que matou cinco pessoas.
A sequência de ataques afetou a avaliação popular de Putin, que segue acima de 70% segundo sondagens independentes, mas abaixo dos mais de 80% de aprovação usuais.
O presidente russo já lidava com os danos causados pelos ataques às refinarias, que provocaram desabastecimento e obrigaram medidas de emergência, como racionamento de combustível e veto à exportação de gasolina e diesel.
Em seguida, Zelenski mirou o comércio graneleiro russo no mar Negro, atingindo mais de cem embarcações ligadas à Rússia. Putin respondeu bombardeando sistematicamente navios e infraestrutura portuária do rival. A perda de capacidade exportadora ucraniana, cuja economia tem nos grãos sua maior fonte de renda, ultrapassa os 30%.
Os russos tiveram de redirecionar parte do comércio para outras saídas portuárias. Nesta terça-feira, a empresa Fesco, subsidiária da gigante nuclear Rosatom que teve um navio afundado no sábado (1), parou suas operações no mar Negro.
Zelenski conta com a escalada para tentar forçar os russos a voltar à mesa de negociação, processo interrompido desde que a mediação americana de Donald Trump foi suspensa devido à guerra no Irã. Na segunda-feira (3), o ucraniano afirmou que trabalhava para encerrar o conflito com o vizinho até o começo do inverno no Hemisfério Norte, no fim de dezembro.