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Como mulheres moldam a Odisseia de Nolan

Por Folha Um News · · 3 min de leitura

O poema épico "A Odisseia", atribuído a Homero, narra a jornada do guerreiro grego Odisseu (Ulisses, na tradição romana) para retornar ao seu reino, Ítaca, após anos lutando na Guerra de Troia. A viagem de volta dura uma década e é repleta de perigos e provações. O clássico ganha uma adaptação cinematográfica dirigida por Christopher Nolan, conhecido por filmes como "Interestelar" e "Oppenheimer", com Matt Damon no papel principal. No Brasil, a estreia está marcada para quinta-feira, 16 de julho.

Apesar de o protagonista ser homem, a história é fortemente influenciada por mulheres. O sucesso de Odisseu em voltar para casa e recuperar o trono depende das estratégias, conselhos e seduções de deusas, ninfas e mortais que ele encontra pelo caminho. Mais do que uma história de heroísmo, "A Odisseia" aborda temas como sexo, estratégia e poder, que seguem atuais.

O poema começa no meio dos acontecimentos, com Odisseu chorando na ilha de Ogígia, onde vive há sete anos com a ninfa Calipso. Após se destacar em Troia, ele aparece derrotado e incapaz de prosseguir. Uma assembleia de deuses é necessária para garantir sua libertação. Odisseu admite que Penélope, sua esposa, não se compara à beleza de Calipso, pois é apenas uma mortal.

Durante a ausência do marido, Penélope não foi uma esposa passiva. Com coragem e astúcia, resistiu aos 108 pretendentes que ocuparam o palácio. Seu estratagema de tecer uma mortalha para o sogro e desfazê-la todas as noites é um dos episódios mais marcantes. O sucesso dela em manter os pretendentes afastados impacta diretamente a capacidade de Odisseu de recuperar o trono.

A principal aliada de Odisseu entre os deuses é Atena, deusa da sabedoria e estratégia. Ela o ajuda desde a Guerra de Troia e lidera os esforços para levá-lo de volta para casa. Quando ele chega exausto à terra dos feácios, Atena organiza seu resgate, escondendo sua aparência abatida para que pareça digno da hospitalidade do povo. Na maioria das vezes, Atena assume a aparência de um homem, mostrando que, entre os mortais, o poder está nas mãos dos homens, mas são as mulheres que mudam o rumo dos acontecimentos.

Ao longo da viagem, Odisseu encontra figuras femininas míticas. O canto das sereias, de doçura irresistível, seduzia os homens e os levava à morte. Odisseu ordena que seus companheiros o amarrem ao mastro do navio para não se lançar ao mar. A feiticeira Circe, de aparência dócil, usava poções para transformar os companheiros de Odisseu em porcos. Apesar de atrapalhar, ela também ajuda o herói, tornando possível sua descida ao mundo dos mortos.

A mensagem do poema é que monstros femininos e ninfas sedutoras não podem ser ignorados. Para vencer, Odisseu precisa ceder a elas, mas sem ir longe demais. Essas figuras colocam à prova sua determinação e capacidade de agir com moderação, virtude valorizada pelos antigos gregos. A vulnerabilidade de Odisseu às seduções das mulheres é, ao mesmo tempo, sua maior força e fraqueza. Ele é um herói complexo, astuto e multifacetado, mestre no engano, que muda de identidade conforme lhe convém.

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