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Taiwan: destino vibrante apesar de tensões com a China

Por Folha Um News · · 5 min de leitura
Taiwan: destino vibrante apesar de tensões com a China
Foto: AFP

Taiwan está no centro de uma das maiores tensões geopolíticas da atualidade. A poucos quilômetros dali, Pequim mantém a ameaça de usar a força para tomar a ilha, que considera parte de seu território. Quem imagina uma Taipé sob a sombra de um conflito, porém, se engana. A capital taiwanesa é vibrante e se consolida como um destino turístico emergente da Ásia.

Com 23 milhões de habitantes e 36 mil quilômetros quadrados, área menor que a do estado do Rio de Janeiro, Taiwan é referência em cultura, gastronomia e hotéis de luxo. A ilha é compacta e aproxima a vida urbana da natureza. Tecnológica, combina modernidade e tradição.

Em Taipé, capital no norte da ilha, arranha-céus espelhados dividem espaço com templos centenários de arquitetura chinesa. O principal cartão-postal é o Taipei 101, torre de 101 andares que se destaca no horizonte e pode ser vista de diversas áreas da cidade.

O Taipei 101 foi inaugurado em 2004, com 508 metros de altura e o título de edifício mais alto do mundo. A torre permaneceu no topo da lista até 2010, quando foi superada pelo Burj Khalifa, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A estrutura foi desenhada para lembrar o bambu, com módulos de oito andares que remetem ao caule da planta. O número oito foi escolhido por ser considerado auspicioso na tradição chinesa.

Subir ao observatório, no 89º andar, leva poucos segundos e custa 600 dólares taiwaneses (cerca de R$ 95). De cima, é possível ver quase toda Taipé e também um marco da engenharia: um pêndulo de 660 toneladas e 5,5 metros de diâmetro, suspenso no centro da torre. A esfera funciona como um contrapeso, movendo-se na direção oposta à do edifício para reduzir a oscilação durante tremores e ventos fortes. Em Taiwan, terremotos e tufões, estes com mais chances de julho a setembro, não são raros.

O Taipei 101 fica no distrito de Xinyi, apelidado de "Manhattan de Taipé" pela concentração de arranha-céus, empresas e shoppings de luxo. De lá, uma caminhada de 20 minutos leva à Elephant Mountain (Montanha do Elefante), onde o concreto dá lugar à vegetação. A colina, no leste da cidade, tem uma trilha com centenas de degraus de pedra e mirantes com vista para a região central. A caminhada até o topo leva 50 minutos e exige fôlego. O movimento aumenta ao entardecer, quando turistas vão ver o pôr do sol. O acesso é gratuito.

Além dos edifícios modernos, Taiwan preserva construções inspiradas na arquitetura tradicional chinesa. Há vários templos dedicados ao confucionismo, taoismo e budismo, além de museus e memoriais. Um dos exemplos é o Museu Nacional do Palácio, com cerca de 700 mil peças, o mais importante de Taiwan. O acervo começou a ser transferido da China continental durante a guerra civil. Com o avanço das tropas comunistas de Mao Tsé-tung, o governo nacionalista de Chiang Kai-shek retirou parte das coleções imperiais da Cidade Proibida e as levou para Taiwan, onde estão desde o fim do conflito, em 1949. As obras seguem como tema sensível nas relações entre as partes.

O museu reúne esculturas, cerâmicas, porcelanas, livros raros, documentos históricos e outros objetos. As obras cobrem cerca de 5.000 anos da civilização chinesa, do período neolítico a pinturas contemporâneas. A entrada custa 350 dólares taiwaneses (R$ 55). Ao lado, há um jardim em estilo chinês com entrada gratuita.

No Memorial Chiang Kai-shek, outro cartão-postal de Taipé, a disputa entre Taiwan e China também é lembrada. O complexo homenageia o líder nacionalista que se refugiou na ilha após a vitória dos comunistas. No salão principal, há uma estátua de bronze de seis metros de Chiang. A troca de guarda ocorre de hora em hora. O corpo de Chiang não está no memorial, cuja entrada é grátis. Os restos mortais estão a cerca de 40 quilômetros de Taipé. Antes de morrer, em 1975, o ex-líder pediu para ser sepultado em definitivo só quando a China continental voltasse ao controle da República da China, nome oficial de Taiwan. Isso nunca ocorreu.

A disputa também aparece no Grand Hotel, erguido sobre uma colina em 1952. O hotel já hospedou chefes de Estado e autoridades estrangeiras. Embaixo, há túneis de emergência construídos para um caso de ataque. Pequim considera a ilha parte de seu território e afirma que irá retomá-la. Taipé diz que é soberana e não está subordinada às decisões das autoridades chinesas.

Fora dos lugares históricos, são raras as referências às ameaças da China. Ao longo de uma semana na ilha, a reportagem não viu equipamentos militares, soldados nem patrulhamento da polícia. A única autoridade encontrada foi um agente de trânsito. Em conversas informais, taiwaneses tratam com desdém a possibilidade de um ataque chinês. Uma pessoa ouvida disse, com desprezo, que essa é uma preocupação das gerações mais velhas.

Pesquisas mostram que muitos taiwaneses veem a China como ameaça, mas não acreditam em guerra iminente. Levantamento do Instituto para Pesquisa de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan, divulgado em 2025, mostrou que 65% dos entrevistados consideravam improvável uma invasão da China nos próximos cinco anos.

Em 2025, Taiwan recebeu 8,57 milhões de visitantes, alta em relação a 2024 (7,86 milhões) e 2023 (6,49 milhões), segundo o governo local. A alta temporada vai de outubro a abril, quando o clima é mais ameno. Nas ruas, a experiência é diferente da encontrada em muitos países ocidentais. Embora muitos taiwaneses não falem inglês, a viagem é facilitada por serviços digitais, como Google e Uber, que funcionam normalmente, uma diferença em relação à China, onde várias plataformas estrangeiras têm restrições.

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