Terremotos e El Niño: preparados para os extremos?
Em 31 de julho, um terremoto de magnitude 4,7 foi sentido em diversos bairros de Nápoles, causando interrupções de energia.

Os recentes terremotos registrados na América Latina e na Itália reacenderam o debate sobre a capacidade de resposta das sociedades a eventos naturais extremos. Na região de Nápoles, na Itália, a população dos Campi Flegrei convive com uma realidade de monitoramento constante após dois tremores de terra atingirem a área em 2025.
Em 31 de julho, um terremoto de magnitude 4,7 foi sentido em diversos bairros de Nápoles, causando interrupções de energia, problemas no transporte e a necessidade de inspeção em estruturas. Em maio, um tremor de magnitude 4,4 já havia sido registrado na mesma região, com epicentro no mar, entre Pozzuoli e Bacoli.
Os Campi Flegrei são uma área vulcânica ativa. A atividade sísmica local está relacionada ao fenômeno do bradisismo, que envolve a elevação e o rebaixamento do solo. Especialistas apontam que não é correto atribuir os terremotos às mudanças climáticas, pois eles têm origem na dinâmica das placas tectônicas e na liberação de energia acumulada em falhas geológicas.
Enquanto isso, a América Latina enfrenta outro desafio. O retorno do fenômeno El Niño, que pode ser um dos mais intensos das últimas décadas, tem potencial para afetar cerca de 16 milhões de pessoas na região e no Caribe. Os efeitos podem aparecer na agricultura, nos preços dos alimentos e na segurança alimentar.
A avaliação é de que a magnitude de um fenômeno natural é apenas parte do problema. A quantidade de pessoas expostas, a qualidade das construções, a existência de sistemas de alerta e a preparação das equipes de emergência são fatores que determinam a gravidade de uma tragédia. A prevenção é tratada como uma política pública que envolve planejamento urbano, infraestrutura e educação da população.
As consequências de eventos climáticos extremos afetam diretamente o cotidiano. Uma seca pode comprometer colheitas e o abastecimento de água. Uma onda de calor aumenta a demanda por energia. Uma enchente pode destruir estradas e interromper cadeias de produção. O impacto chega ao supermercado, à conta de luz e ao orçamento das famílias.
Especialistas alertam que os efeitos dos desastres não são distribuídos igualmente. Pessoas com moradias mais seguras e acesso a serviços de saúde têm mais condições de superar emergências. Nesse contexto, políticas de prevenção também funcionam como instrumentos de redução de desigualdades sociais.
A experiência italiana com terremotos, construída após décadas de eventos sísmicos, resultou no desenvolvimento de mecanismos de monitoramento e proteção civil. A cooperação internacional é apontada como ferramenta para compartilhar tecnologias e protocolos de emergência entre países.
A reconstrução após um desastre não termina quando os holofotes se apagam. Ela pode levar anos e exige compromisso contínuo. A lição deixada pelos eventos recentes é que não é possível controlar a natureza, mas é possível reduzir a vulnerabilidade diante dela, com planejamento e preparação das cidades para o futuro.
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