Paris: alta gastronomia surrealista e luxo real

Paris é uma cidade feita para ser explorada a pé, mas cruzar as portas do Hôtel Le Meurice eleva a experiência a outro nível. Inaugurado em 1835, o local é conhecido como o "hotel dos artistas". Foi ali que Pablo Picasso celebrou seu casamento e onde o pintor surrealista Salvador Dalí morou por mais de duas décadas, com excentricidades como pilotar uma Harley-Davidson na suíte presidencial ou pedir ovelhas vivas no quarto. Atualmente, o hotel segue ligado à cultura pop, tendo servido de estúdio para Jay-Z e Kanye West.
No coração do hotel, o restaurante Le Dalí é uma das experiências mais procuradas. O ambiente foi remodelado pelo designer Philippe Starck, que uniu o estilo clássico Luís XVI a toques contemporâneos e distorções surrealistas em homenagem ao pintor espanhol. O teto tem uma lona pintada à mão por Ara Starck, filha do designer, que cria um reflexo onírico junto aos espelhos inclinados e cadeiras descombinadas do salão. À noite, um piano ao vivo anima o local.
Sob o comando do chef Alain Ducasse e da chef de cozinha Clémentine Bouchon, o menu do Le Dalí aposta em culinária francesa sazonal com filosofia farm-to-fork (do campo para o garfo). O restaurante tem o selo Écotable, que reconhece seu compromisso com a gastronomia sustentável, usando 95% de ingredientes de produtores locais. Entre os pratos estão risoto de frutos do mar, arancini e o filé de peixe Sole meunière com espinafre.
A confeitaria é um dos maiores atrativos. O chef pâtissier Cédric Grolet, eleito o melhor do mundo e fenômeno no Instagram, tem uma boutique de rua que costuma exigir horas de fila. No Le Dalí, as esculturas comestíveis em formato de frutas (trompe-l'œil) e clássicos como o Saint-Honoré e a torta de pistache são servidos à mesa. O Afternoon Tea (Chá da Tarde) também foi reformulado e inclui sanduíches finos, como lobster roll e brioche com salmão e caviar, além de frutas esculpidas da temporada.
O esplendor revisitado
Na Avenue Montaigne, o histórico Hôtel Plaza Athénée passou por uma das mudanças mais comentadas da gastronomia europeia. O chef Jean Imbert assumiu a cozinha do palácio no lugar de Alain Ducasse e conquistou uma estrela Michelin com o restaurante Jean Imbert au Plaza Athénée. O salão Régence, redesenhado por Rémi Tessier, tem teto com mais de 20.000 folhas de ouro e lustres de cristal originais de 1913. No centro, uma mesa de 12 metros esculpida em mármore rosa Breccia, com castiçais antigos e arranjos florais. A louça é de porcelana Limoges, os talheres de prata Christofle e as taças de cristal Baccarat.
Jean Imbert optou por recriar banquetes imperiais, com apoio dos chefs executivos Jocelyn Herland e Mathieu Emeraud. O menu prioriza pequenos produtores locais franceses e frutos do mar pescados na Bretanha. O jantar termina com um espetáculo: um sino ecoa, as luzes se apagam e uma janela se abre para mostrar os confeiteiros finalizando os pratos. A dupla Angelo Musa e Elisabeth Hot comanda as sobremesas, como a Crêpe Soufflée flambada com Grand Marnier e o Grand Dessert.
O Hôtel Plaza Athénée foi inaugurado em 20 de abril de 1913, no número 25 da Avenue Montaigne, no Triângulo de Ouro de Paris. O palácio, projetado pelo arquiteto Charles Lefebvre, é conhecido pela fachada neoclássica com toldos e gerânios vermelhos. Na década de 1930, o restaurante Le Relais Plaza foi aberto em estilo Art Déco, inspirado no navio transatlântico SS Normandie. Em 1947, o estilista Christian Dior abriu sua primeira maison na mesma rua e passou a usar o hotel como segundo lar, fotografando coleções e hospedando clientes nos salões.