sexta-feira, 17 de julho de 2026Edição Digital
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Joesley Batista quer R$ bilionário da Vale por mina

Por Folha Um News · · 2 min de leitura

O vazamento de e-mails que revelam uma visita secreta de conselheiros da Vale a uma mina da J&F e um jantar do comando da empresa com os donos da J&F causou polêmica no conselho da mineradora. O empresário Joesley Batista, amigo do presidente Lula, comprou o empreendimento há quatro anos e agora quer vendê-lo de volta à Vale, apesar da avaliação interna de que o negócio não compensa.

Após a visita ser revelada em um e-mail confidencial, a Vale divulgou um comunicado negando que vá comprar a mina de volta. A J&F também negou ter tentado a operação, embora ambas tenham confirmado a visita dos executivos e a contratação do Citi para tentar vender uma participação acionária em Corumbá (MS).

Nos bastidores, fontes da Vale confirmam a tentativa de Joesley e revelam o valor pelo qual o dono da J&F pretendia fechar negócio. Segundo essas informações, Joesley queria repassar à Vale 45% do que custou US$ 1,2 bilhão em 2022 por R$ 4 bilhões. Também foi discutida a venda de uma participação acionária menor, próxima dos 30%, por R$ 2 bilhões.

Apesar da polêmica, o negócio não foi adiante porque foi considerado ruim pela diretoria da mineradora. O Comitê executivo da empresa entendeu que a taxa de retorno da mina não compensa o investimento. O CEO Gustavo Pimenta, que rejeitou a compra agora em 2026, foi quem a vendeu em 2022 quando era CFO.

No começo de maio, o então chairman da Vale, Daniel Stieler, esteve em um jantar com os irmãos Batista no Rio de Janeiro, acompanhado de conselheiros e de Pimenta. No dia seguinte, parte do grupo foi de jato particular para as minas do Sistema Centro-Oeste. A programação teria sido articulada por Stieler, segundo fontes da Vale.

O conselheiro Manoel Lino Oliveira, conhecido como Ollie, contou em um e-mail que estava cético com o negócio, mas a visita a Corumbá mudou sua percepção. Ele destacou o “empreendedorismo fora do normal” e “apetite para riscos muito além de nós” dos irmãos Batista, que teriam obtido licenças para produção de até 26 milhões de toneladas de ferro.

A Vale vive uma crise interna desde que a Previ destituiu Daniel Stieler e anunciou sua substituição por Ollie. A escolha final será sacramentada em 22 de julho.

A J&F reiterou que a LHG Mining, controladora do Sistema Centro-Oeste, “não está à venda”. A holding disse que buscou o Citi para “conduzir um processo competitivo organizado, voltado a uma eventual participação minoritária na empresa”. A J&F afirmou ter recebido uma comitiva da Vale “a pedido” da empresa, mas descartou ter a mineradora como sócia por ser uma concorrente nacional direta.

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