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Hepatite A dispara em SP e já supera total de 2025

Por Folha Um News · · 3 min de leitura
Hepatite A dispara em SP e já supera total de 2025
vacina hepatite a

O estado de São Paulo registrou 1.953 casos de hepatite A entre janeiro e 11 de julho de 2026. O número representa um aumento de 54,6% em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 1.263 ocorrências.

A parcial atual supera em 17,4% o total acumulado de todo o ano de 2025, que fechou com 1.663 casos. Os dados são do Núcleo de Informações Estratégicas (Nies) da Secretaria Estadual da Saúde. A última atualização da plataforma ocorreu no dia 20.

A curva de casos cresce em São Paulo pelo menos há quatro anos. Os anos de 2022, 2023 e 2024 fecharam com 294, 985 e 1.176 casos da doença, respectivamente. Em 2026, as semanas epidemiológicas de 11 a 14 (15 de março a 11 de abril) registraram as notificações mais altas.

Homens concentram a maior parte das infecções, com 1.168 casos. Destes, 407 estão no grupo de 20 a 29 anos, 341 na faixa de 30 a 39 anos e 202 de 40 a 49 anos. As demais faixas etárias somam 271 casos.

Entre as mulheres, as de 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos são maioria, com 213 e 209 casos, respectivamente. Meninas de 10 a 19 anos vêm em terceiro lugar, com 118 ocorrências. Os outros grupos totalizam 188 registros.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, até abril de 2026 foram registrados dois óbitos por hepatite A no estado. Em 2025, houve 11 mortes pela doença; em 2024, quatro; em 2023, oito; e, em 2022, um óbito.

A hepatite A é uma inflamação aguda do fígado, causada pelo vírus A (HAV). A infecção é benigna e contagiosa. Cerca de 1% (ou menos) dos casos pode evoluir com gravidade, de forma fulminante.

A transmissão ocorre pelo contato oral-fecal e está ligada a condições inadequadas de saneamento básico e higiene pessoal. Também acontece pelo consumo de água e alimentos contaminados. "Existe uma forma mais recente de transmissão que é por via sexual, sobretudo em homens que fazem sexo com homens", explica Evaldo Stanislau de Araújo, infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A maioria dos casos é assintomática ou tem sintomas inespecíficos, como fadiga, mal-estar, febre e dores musculares, seguidos por enjoo, vômito, dor abdominal e icterícia. O tratamento é de suporte, com medicação sintomática e controle laboratorial.

Até maio de 2026, no estado de São Paulo, 67,25% das crianças receberam a vacina contra a hepatite A. A meta é imunizar 95% da população. O imunizante é aplicado em dose única aos 15 meses, podendo ser usado dos 12 meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias.

Para pessoas com condições clínicas de maior risco, o SUS fornece a vacina nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries), geralmente em duas doses com intervalo mínimo de seis meses. Entre as indicações estão pessoas que vivem com HIV/Aids, doenças do fígado, portadores crônicos das hepatites B ou C, usuários de PrEP, transplantados e doadores de órgãos.

Outras formas de prevenção incluem lavar as mãos, cozinhar bem os alimentos, usar instalações sanitárias e adotar medidas rigorosas de higiene em creches e restaurantes. Também é recomendado evitar banho em valões ou enchentes e usar preservativos nas relações sexuais.

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